Caio Rudá de Oliveira
Para o Povo, o ano não poderia ter começado melhor: como magia, seu suado dinheirinho de contribuinte convertido em cores e formas no céu noturno.
Nunca fora acostumado a pensar a longo prazo, logo, perdido em votos de boas-festas, não lembraria do salário vindouro qual chuva no sertão, da fila para a matrícula dos sete filhos, do único doutor no hospital - urologista ainda por cima -, do policial cuja arma carrega bala solitária e dos preços de eterno movimento ascendente.
Taça de sidra na mão, o Povo não mensurava a realidade de cada maquinal "feliz ano novo" recebido, e retribuía, confiante num ano próximo com muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.
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