Receba Samizdat em seu e-mail

Delivered by FeedBurner

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Natal, viagens e fantasias

Participei como autor convidado da antologia Natal, viagens e fantasias, organizada pela escritora curitibana Isabel Furini. Pela proximidade da data festiva, publico aqui os dois textos curtos que produzi especialmente para o livro. Tive grande dificuldade para trabalhar com um tema previamente...





quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Finalmente

O rapaz chorava, infelicíssimo. O seu desgosto era profundo e completo, desesperado. Estava fisicamente incapaz de recordar outros desgostos e a sua recuperação; não podia reconhecer que o tempo, mesmo quando não cura, atenua o sofrimento para níveis que a biologia pode suportar sem por em causa a sobrevivência. Portanto, estava extremamente infeliz e por toda a eternidade, que é a duração do presente para os muito jovens. Toda aquela miséria...





terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O menino do natal

Joaquim Bispo Os capelos que vivem da exploração pecuária levam, em geral, uma existência muito frugal pelo que não são muito dados a comemorações caseiras, sejam aniversários ou festas tradicionais, mas não deixam passar o natal sem uma almoçarada abundante. Ruben, capelo solene e encorpado, não é exceção. Na véspera de natal, na sua quinta do interior, reuniu no tanque fronteiro à casa, os filhos – um capucho e duas capucinas – e o sobrinho, recém-chegado...





segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MICROCONTOS TEMÁTICOS DE EDWEINE LOUREIRO – PARTE III

Amigos, retornando à série de microcontos com um tema específico, escrevo, nesta edição, sobre os artistas de cinema. Espero que gostem. Macrossaudações. Edweine Loureiro LUZ, CÂMERA... ― Ação! – gritou o eterno aspirante a diretor de cinema para os enfermeiros que o conduziam ao manicômio. * O HOMEM SEM FACE Sempre um ignorado, o dublê atirou-se de uma janela do trigésimo andar, esperando encontrar a fama póstuma. E caiu sobre Mel Gibson. * PERFECCIONISTA Insatisfeito...





domingo, 23 de dezembro de 2012

Últimas palavras no voo 676

Se agora fossem seus últimos minutos na terra, o que você faria? Eu peguei papel e caneta e comecei a escrever. Deveria estar nervoso como as pessoas a minha volta, mas por alguma razão eu estou tranquilo. Mesmo quando o avião começou a chocalhar mais forte, mesmo com a turbulência cada vez pior, mesmo com a sensação de montanha russa, eu estava tranquilo. Quero escrever, quero que meus últimos momentos fossem registrados com essa emoção, descrevendo esse...





sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Quinze lances de uma paixão

Tudo se modificou após a arrebatadora chegada daquela forasteira. Sua Majestade, o Rei, não dava a mínima atenção para a Rainha. Esta, magoada, deixou de protegê-lo, aventurando-se por locais desconhecidos. Ela, a Rainha, tinha consciência de sua força. Sabia defender-se como ninguém. Os bispos confabulavam...





quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

FEITIÇO E UTOPIA

Ela é linda. E charmosa. E cheirosa. E bem vestida. E elegante. E bem tratada. Cara de menina rica, jeito de musa carioca. Tanta boniteza pra quê? Metida a besta que só ela. Há mais de ano, todo santo dia útil saio para o escritório às 8h:40 min. Desço no elevador que para invariavelmente no andar onde ela mora. Sozinha. Eu sei que ela mora sozinha. Nunca a vi com ninguém, nem aos sábados, domingos ou feriados, o porteiro diz que nesses dias ela viaja. ...





quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Conto do fim do mundo

(Atenção: como vinha escrito nos romances antigos, "isso é uma obra de ficção; qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais é mera coincidência". E não, o mundo NÃO vai acabar, ao menos que eu saiba...) Primeiro foram os pombos. Dezenas, centenas deles. Milhares mesmo, talvez. E isso foi só o começo, o começo do fim. Do fim do mundo. Nem sei por que escrevo isso; em dois dias, não mais haverá leitores, não haverá mais ninguém. Nem eu. Mas tenho...





terça-feira, 18 de dezembro de 2012

LA BALSA

Otávio Martins    Diacho, não perco essa mania de, sempre que vou escrever uma crônica, trazer à cabeça uma música. Esta crônica, confesso, surgiu junto com um bolero, antigo pra burro, que eu estava cantarolando, “La barca”. Uma música (e letra) do Roberto Cantoral. Ouvi esse bolero com vários intérpretes, entre eles Altemar Dutra, Trio Cristal y muchos otros. Entonces, desculpem, então, imaginando uma balsa como sendo um tipo de barca, ou embarcação,...





segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Minha filha Rita em meu sonho me sorria – com pena deste seu pai, que nunca a teve. Rita – Rubem Braga          Vera está esperando, em algum lugar. É uma linda menina, de cabelos castanhos e olhos profundos. Algumas coisas nela lembram a mim. Não sei se será espontânea como o pai, não sei se será calada, como o pai. Serei um orgulhoso pai e ela me amará profundamente, como sei que já ama. Sei que ela, de onde...





domingo, 16 de dezembro de 2012

Nenúfar Tenho sido nenúfar  [caule de água fria] e faço farto amor com o rio que segue mas nunca  se desvia dos meus pés-raízes -sem terra que não buscam nada não se apegam a nada só balançam empurrados pela corrente doce Tenho sido corpo-flor aberto à superfície e...





sábado, 15 de dezembro de 2012

cores do ano

se houvesse pedido que ela fizesse em início de ano, se ela se deleitasse a invocar os deuses para pedir benesses, pediria decerto que o ano fosse da cor do mar e da cor da chuva, e, se fosse possível, (e o que não é possível às divindades, perguntaria antes de atrever-se) ela pediria...





sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Num Domingo

"Tentei me acostumar à ideia de recomeçar, entretanto no momento, impossível."   (Vicent Van Gogh, em carta para o irmão Théo)   De barriga cheia   Ouço Sunday Bloody Sunday tocada pelo Pearl Jam, gravada de um show ao vivo. Minha filha corre pela casa mexendo nas roupas que estavam dobradas e rasgando gibis. Ela me pede que arrume a roupinha da boneca dela. Faço. Mas continuo sentada na janela, esperando a música acabar, segurando a boneca...





terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bagunça

Não acho nada,não encontro coisa algumaMe esbarro no lixo do lixoDivago com a janela abertaOlho a textura do tempo secoOlho o copo sujo de vinhocom o azedume do ontemSó consigo atinar em marchas fúnebresMas alinhavo a minha trajetóriaTentando poupar-mepara esculpir novos dias que amanhecemSem...





segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O prazer de recomeçar do zero uma vez mais

Henry Alfred Bugalho Este é o terceiro país no qual moramos num único ano. Viver na Argentina foi uma experiência catastrófica, o oposto do que havíamos imaginado, e mesmo assim suportamos um ano e meio em Buenos Aires. Já na Itália, foram oito meses numa belíssima, porém tediosa, cidade...





sábado, 8 de dezembro de 2012

a auto comimimiseração das pragas urbanas

o que me torna uma praga urbana infecta e em conflito permanente com o que minhas intenções aparentam é que me assalta com violência a vontade de estar à vontade para dizer de um jeito compreensível um simples olá sinto muito a sua falta adoraria poder estar aí agora obrigado por tudo não se preocupe muito durma bem meu bem seu V mas é tão difícil a minha garganta expulsa asas nojentas batendo de dentro para fora a coisa mais estúpida para se...





sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

sobre poemas e filhos

Por Ju B. Li do livro a parte única que me era desconhecida a parte aquela que um autor escreve por querer aos seus leitores futuros imaginários [des]esperados Li do livro a parte primeira aquela que fala do que está por vir em símbolos gravados dentro das páginas dos dizeres de papel E só então, eu li aquilo que ninguém mais poderia ter lido ou supor em suas mais férteis divagações sobre o que veio logo depois. e lendo eu [re] vivi o lírico do antes e...





quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Síndrome de Estou Como

Resolvi publicar uma tese extraordinária (Sheldon Cooper off) e compartilhar com algumas mentes iluminadas. Caderno e lápis na mão. Mulheres vão juntas ao banheiro, emprestam roupas, bolsas, às vezes até namorados. Uma é o confessionário da outra e o porto seguro ou porto de galinhas também. Se você é homem e pensa em se infiltrar entre duas melhores amigas, cuidado! Você vai se queimar. Não existe solvente capaz de separar uma dupla, grupo ou alcateia...





quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[Re]voltas

Foto: Camila Hein Ao deixar o cume Em queda livre Com o corpo sangrando De olhos e braços bem abertos O mundo continuou girando Sem se importar Com o provável desfecho Talvez tudo tenha mesmo o seu preço Começo, meio e fim Sim, ele é inevitável Tudo o que é bom Um dia acaba Tudo o que...





segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

IMPRECISÃO

IMPRECISÃO           O que mais espanta é o homem sempre querer-se exato. Pois sua medida perde-se nas frinchas de seu próprio ato. E, se o ato trinca, permite o assalto da imprecisão. E esta, insolente, espalha-se por tudo (grama pelo chão). Feito epidemia, todos contamina, alhures e aqui. E o homem, pego, perde a medida, perde-se de si. E, uma...





domingo, 2 de dezembro de 2012

QUEM TEM BOCA VAI A ROMA

Diz o célebre ditado que Quem tem boca vai a Roma, muito embora alguns filólogos jurem de pés juntos ser o conhecido provérbio nada mais do que uma corruptela de Quem tem boca vaia Roma, interpretação bem mais plausível, dados os escândalos que desde sempre envolveram política e religião na Roma...





terça-feira, 27 de novembro de 2012

Poesias e quebras

Separo para este mês duas pequenas poesias, ambas com temáticas relacionadas a quebras e fragmentos. Espero que apreciem estas pequenas construções: ------------------------------------ Fragmentos Quebrou-se no mergulho do pássaro o espelho d´água ------------------------------------ Irremediável A...