Amélia se emociona quando assiste, na TV, a qualquer reportagem de recém-nascido resgatado de lata de lixo. A criaturinha roxa de hipotermia, choro já estancado, enrolada em pano ralo, num canto putrefato, abandonada ao léu, sob os perigos da noite; e, de repente, algum ser caridoso que intercede por ela, trazendo-a de volta à tona da vida. “Deixe de bobagem” — reclama o marido de Amélia. “Pare com essa aflição, que o fato não lhe diz respeito”. E a mulher...