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domingo, 27 de março de 2016

Colcha de Retalhos #19

Seguem alguns breves textos da coluna Colcha de Retalhos, homônima do livro que está disponível gratuitamente AQUI: CAPACIDADE Desde que o tempo é tempo, as pessoas desejam ter a capacidade de enxergar através das outras. Sensações, senti¬mentos e os mais profundos pensamentos. E a essa capacidade,...





sábado, 26 de março de 2016

Taramela

A morte não é definitiva; a saudade, sim. Depois daquela quarta invernal, ficou proibido sorrir lá em casa. Eu tinha nove anos, só nove, quando mamãe subitamente vetou as cambalhotas de fim de noite na cama dela. Punição deveras grave para a meninota que amava viravoltar de meia e pijama, misturando as pernas curtas às dos irmãos, mais compridas. A comida do dia a dia foi ultrajada com força — sabor e variedades sofrendo prejuízo. Iogurtes de morango, sorvetes...





sexta-feira, 25 de março de 2016

O outro pai de "O Nascimento de Vénus"

O mistério da arte renascentista É sempre com espanto que se toma consciência do tremendo salto da arte do Renascimento, tanto em termos formais, como temáticos. Se certas descobertas, como a perspetiva, explicam alguma excelência formal, e o uso do óleo o brilho cromático e o rigor do pormenor,...





quinta-feira, 24 de março de 2016

SÉRIE: TROVAS PREMIADAS (VI)

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terça-feira, 22 de março de 2016

Dois nacos

Nas últimas noites estive no deserto: sozinha no vento, comendo areia com colher de sopa, olhos piscos para um sol laranja, e uma pergunta queimando a garganta: esse sonho outra vez, para quê? Acordo seca. De energia, de vontades, de ideias, de afetos. Quero nada, nem ir nem ficar. Passo o resto do dia embalando a sensação de que se fizer barulho nenhum acabo invisível e com dois nacos de paz no bolso. Dois nacos. Dois nacos é pouco, quase não dá para passar...





segunda-feira, 21 de março de 2016

O Sacrifício

Perdido naquele inóspito lugar, ele se debatia procurando livrar a cabeça que ficara presa entre os galhos de um arbusto um tanto ressecado pela aridez da região. Nervoso ante o fracasso das tentativas e temendo pela possível asfixia, berrou por alguns minutos, na vã esperança que o seu pastor o encontrasse, cordeiro desgarrado e rebelde, fugitivo na intenção de conhecer o mundo que ele desconfiava não estar restrito ao rebanho do qual pertencia. Empenhara...





domingo, 20 de março de 2016

BOAS BOBAGENS

Os amigos que se dão ao trabalho de me ler sabem que não sou dado a crônicas, mas a histórias ficcionais, onde criaturas e situações são filhas das invencionices com a pretensão de criar algo que pareça real ou surreal. Mas diante da conjuntura que se esfrega ao nosso nariz, impossível não a inalar tal fumaça, correndo o risco de ser percebido alienado e tolo como afrodescendente com transtornos mentais daquele samba imortal. Falei certo? Politicamente correto?...





Os amigos que se dão ao trabalho de me ler sabem que não sou dado a crônicas, mas histórias ficcionais, onde criaturas e situações são filhas das invencionices com a pretensão de criar algo que pareça real ou surreal. Mas diante da conjuntura que se esfrega ao nosso nariz, impossível não a inalar tal fumaça, correndo o risco de ser percebido alienado e tolo como afrodescendente com transtornos mentais daquele samba imortal. Falei certo? Politicamente correto?...





sexta-feira, 18 de março de 2016

ESTRANHAMENTOS

          Continua, vai fazendo a caneta passar por cima destas páginas brancas, é tão bonito vê-la deslizar, ela escorre, gostosa, joga a tinta e recobre o branco, dá forma, deixa tudo bonito também. Eu não estou tão mal assim, consigo ver o azul em cima do branco, vejo...





quinta-feira, 17 de março de 2016

Haiku - Cassio Carvalheiro

Hokusai - Trovoada Abaixo do Cume Não tiro da mesa  As migalhas de pão Resta a formiga. Pra lá e pra cá Gente apressada Mas o ipê em flor não desiste. Mosca corajosa Nem mão nem pano Afastam-na do bolo. Viagem ao campo Dormir até tarde... Mas a cigarra é...





quarta-feira, 16 de março de 2016

Onde devem estar os gritos

Sempre guardou segredos. Aprendeu a ser silêncios desde pequena. A ser apenas gritos internos. Quantos anos tinha? Quatro, cinco? Memórias incertas. A babá se perfumando com os frascos caros da penteadeira da mãe. A babá ajeitando os ca- belos no espelho oval do corredor. A babá encostando a língua...





terça-feira, 15 de março de 2016

memórias

Não tinha ido despedir-se e, se lhe tivessem perguntado, teria dito: foi um acaso, uma conjuntura, tudo a dispor-se para que não fosse e o relógio que não me despertou. Margarida a justificar não ter estado no cais, ela que nunca ficou a acenar lenços senão, muito criança, dependurada na janela...