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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Depois da Chuva, Georgio Rios

FICHA TÉCNICAAutor: Georgio RiosTítulo: Depois da chuvaEditora: MultifocoISBN: 9788579610837Ano: 2009Edição: 1Número de páginas: 73Acabamento: brochuraFormato: 14x21 cmPor Gerana DamulakisAcabei a leitura do livro de poemas de Georgio Rios, Depois da chuva (futurArte, 2009), o qual, seguramente, coloca...





quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sempre há uma verdade.... (Parte 2)

(Maristela Scheuer Deves)Tudo começou em uma bela noite sem lua, uma noite que, mesmo sem o seu satélite, estava clara, incrivelmente clara. Uma noite que convidava a um passeio a pé pelas vizinhanças, curtindo a quietude de uma tranquila cidade interiorana. Olhando pela janela, não resisti àquela tentação. Pegando apenas um xale para proteger-me do sereno, saí a percorrer as ruas próximas. Mas não fui muito longe.Eu andara, talvez, uns 10 minutos quando algo...





terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Assombrações do Rio antigo- O beco da morta- Giselle Sato

Ruas estreitas de paralelepípedo serpenteiam as imediações. Abrem-se em incontáveis caminhos, vielas, atalhos e becos. O centro da cidade um dia foi nobre.Esquecido e sem preservação, tornou-se uma opção de aluguéis baratos em prédios desvalorizados. O BECO DA MORTA O velho edifício sobreviveu ao tempo e abrigava muitos inquilinos. Próximo ao Instituto Médico Legal, a entrada principal fazia esquina com um beco mal afamado. Pior endereço, impossível. Gritos...





domingo, 21 de fevereiro de 2010

Fragmentos: II.O Início

Havia brilho, e luz, muita luz de muitas cores. Havia som. Pulsava o som, ressoando mundo afora o coração recém chegado ao universo das batidas. Um corte rápido, um súbito grito, um choro. E risos. É um menino! Chamará João. Bonito nome. Simples e brasileiro. João Brasileiro, então, nascido na terça-feira gorda! O leite ralo não tem sabor de sal nem de açúcar. Mas a pele é quente e o aroma, inesquecível. Nesse primeiro instante íntimo, os corações batem sincrônicos,...





sábado, 20 de fevereiro de 2010

Duas de cinquenta e três de vinte

Léo Borges– Mãe, está me ouvindo bem? Esse barulho todo é porque um bloco está passando por aqui... não, não vou me fantasiar de odalisca desvairada nesse carnaval, não, isso é coisa do passado... pois é... estou, mãe, estou me alimentando bem, sim... a senhora já perguntou isso da vez passada... não, não tenho comido vespa assada nenhuma, só disse que já falamos sobre minha dieta antes. Mãe, eu tenho de ir porque o Barbosa está me esperando. Não, mãe! Nada...





quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Canção de Carnaval

Canção de CarnavalRubén Daríotrad.: Henry Alfred BugalhoMusa, à máscara apronta,Ensaia um ar jovialE goza e ri na festado Carnaval.Ri na dança que gira,mostra a perna rosada,E soa, como uma lira,Tua gargalhada.Para voar mais ligeiraPonha duas pétalas de rosa,Como faz tua companheiraA mariposa.E que...





terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Borboletas na barriga

Mariana ValleEu gosto dele. Tá bom, eu gosto bastante dele. Mas o que eu mais gosto nele é a leveza de não saber o dia de amanhã.É um ter vontade de ficar mais e ao mesmo tempo não ter a mínima ideia de quando isso vai acontecer. E curtir. Curtir esta incerteza. Aproveitar apenas o hoje. É tão bom viver a vida sem roteiro...Cansei da segurança. Da hora marcada, do papo burocrático à noite pelo telefone. “O que você fez hoje? Tá com saudade?”Tenho saudade é...





domingo, 14 de fevereiro de 2010

Festa no céu

Polyana de AlmeidaSeu Jacinto veio me chamar no meio da noite. Rugiu, gritou, mandou meu nome e disse: já está na hora. Esfreguei os olhos, alisei meu bendito queixo, e deixei as pálpebras caírem soltas num piscar de sonho. Mas a nitidez das coisas, as cores, o tato, o tom pálido dos espaços me desmentia – já não durmo, já não sonho. E vivo? —Com que roupa eu vou?Sem resposta, ele me guiou até a porta.—Espera mais um ano?Assinalando um Não com cabeça, ele...





sábado, 13 de fevereiro de 2010

A primeira noite de Melissa

José Guilherme VerezaDepois de algumas horas de sono profundo, sob a vigília curiosa de Thales, Melissa vira de bruços,senta lentamente sobre os calcanhares, os cabelos longos e castanhos claros tapam seu rosto.Começa a se espreguiçar como um cachorro vadio. Alonga os braços, estala os dedos finos, abre a fecha as mãos.A lentidão dos movimentos é acompanhada por um Thales paciente, diferente do apressado que quer sempre deixar a cama vazia de gentequando encerram...





sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Quarta-feira de Cinzas

Cirilo S. Lemos Até que a Terça da Folia do Clube Vicentino não era um programa tão ruim assim, afinal. Renato odiava o Carnaval, mas os beijos que a mulata fantasiada de coelhinha dava em seu pescoço compensavam o barulho, o tumulto, os marmanjos vestidos de mulher rodopiando orgulhosos...





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

biscoitos de manteiga

   Maria de Fátima    Um ventinho a soprar de fora fez restolhar o cortinado que protegia a entrada da varanda: um tecido leve, branco, vaporoso e muito limpo. Isaura disse, levantando o olhar na direcção onde Iria estava sentada mais perto da janela:    – Está fazendo fresco. A amiga, se não se importa, feche essa janela.   E Iria debruçou o corpo, ergueu-se apenas o necessário para prender um no outro os batentes...





quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Um Amor de Carnaval

Todos os anos era a mesma história: no feriado do carnaval, descíamos para a praia.Às vezes, era para ficarmos num camping, curtindo a farra e os desconfortos de uma barraca, do fogareiro elétrico e da janta à base de miojo, mas também ocorria de minha mãe alugar uma casa no litoral, que dividíamos com várias outras pessoas, amigos ou parentes.O primeiro grande desafio era o congestionamento-monstro na rodovia. O trecho Curitiba-praias, que num dia normal...





domingo, 7 de fevereiro de 2010

Só um Balão

por Ju Blasina Balões parecem-me Tão felizes Coloridos, lustrosos Pairando alto Flutuando leve Subindo ao céu Tão belos ao longe Tão cheios De cor, de ar De vida, talvez E só quando estouram Revelam o interior Tão vazio e oco Seu corpo, já Frágil, disforme E morto Às vezes sou só Um balão Cuja corda dou Em tuas mãos Cuja beleza deixo Aos teus cuidados Ao teu olhar Cuja vida depende Do teu ar. Infla-me! E te darei em troca Minhas cores e Meu feliz estar Para...





Oqdz...

Por Ju Blasina ...Da Carência Sentou no controle remoto e gemeu, jurando que foi sem querer. Ao menos nas cinco primeiras vezes. ...Da Clemência Implorou para não fizesse aquilo, daquele jeito, naquele lugar, mas Clemente era surdo seletivo. ...Da Indecência Enrubescia sempre que ele ameaçava espiar-lhe as calcinhas. Não pela falta de decência da parte dele, mas pela carência da parte delas. ...Da Cadência  Seu ritmo era perfeito! Estava indo...





Ser genérico

por Ju BlasinaDe tão indeciso nasceu hermafrodita. E não bastasse, nasceu em trânsito: os pais viajavam em férias pelo interior do Interior quando se deu o trabalho de parto. Era um domingo, dia de todos os santos, e no interior do Interior não há hospitais. Viajavam de uma cidadezinha de nome estranho A para uma de nome esquisito B, quando as dores começaram. As primeiras contrações se deram ainda em A, o bebê coroou em B, mas só teve o cordão cortado em...





sábado, 6 de fevereiro de 2010

C

O N C I S O S BACCO Não há como aceitar cordeiros – não sendo um deus assim como eu. DESFIBRILADOR Nas vidas em que a vida não desperta os sentidos só resta a poesia tentativa última de elo com o mundo exterior. # Se o mar cabe em uma concha, por que o amar transborda do coração? RETALHO E o que somos nós, senão um mosaico de lembranças num mural de ...