Receba Samizdat em seu e-mail

Delivered by FeedBurner

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Metapoema


Espinho metido a flor
Mordomo rendido ao frevo
Saudade da tal vanguarda

E o desejo de presença
Mesmo do que não há
Daquilo que nem pode ser

Quando me meto num poema
Dentro, bem dentro dele
Pelejo esquecer a reta

Nenhum verso me espanta
Toda loucura me agiganta

Palavra polvo se alçando
Abraço que me sufoca
E assim é que me liberta

Efeito pólvora poética

Viés de muitas marés
Múltiplo encontro e por isso único
Oceânico

Um quê que me ousa outra
Um eu que nem sempre houve
Mas tem tudo a ver comigo

Metamórfico


Maria Amélia Elói


Tela "Fundo do Mar", série Universo Imaginário, do artista plástico André Cerino.

Share