Receba Samizdat em seu e-mail

Delivered by FeedBurner

sexta-feira, 11 de julho de 2008

MINIs

Ana Mello
Fuga

O ônibus é rápido.
Na janela tudo passa - árvores, rio, nuvens.
Não passa a saudade, não volta a cidade.
Nem o amor da Maria.

Amor adolescente

Delicioso aquele beijo.
Primeiro amor tem gosto de chocolate novo, de água depois do futebol.
Tem cor de primavera e cheiro de alfazema.
Dizem que amor é tão forte que até dói.
Mas o que dói mesmo é namorar menina com aparelho nos dentes.

Quimera

As panelas brilhavam o fogão também, tudo bem areado.
As desilusões e amarguras, Maria extravasava na cozinha.
Sempre sonhou com príncipe, não de riqueza ou coroa. Realeza no carinho, no amor sincero e incondicional.
Não foi possível.
A vida lhe deu somente um homem, calado e trabalhador.

Dilema

Do outro lado das grades – a liberdade.
Mas fazer o quê depois de 30 anos na prisão?
Morreu enforcado, um dia antes de ter cumprido a pena.

Coração assaltado

Quando botou o anúncio na rádio, não esperava ter a bolsa devolvida. Tudo estava no lugar, mais um bilhete do ladrão:
- Quero só uma chance, te observo há dias.
Vamos sair para dançar?

No inferno V

Não comi o pão que o Diabo amassou.
Mas as empadinhas, não resisti.

--------------------------------------------------------------------------------------

A autora, por ela mesma
“De profissão sou téc. Química. Escrever é para mim diversão e uma forma de interagir com as pessoas, fazer amizades, aprender. Tenho alguns prêmios literários, um conto premiado pela Carris, poesia nas janelas dos ônibus e trens de Porto Alegre e haicai selecionado em concurso da UFRGS. Todos estão também em livros. Adoro minicontos e além de publicá-los no meu blog MINICONTANDO, sou editora da REVISTA VEREDAS e tenho oficina de minicontos. Além disso, sou colunista do site SORTIMENTOS.COM e coordenadora do Movimento Internacional Poetrix no RS.”


Conheça mais do trabalho de Ana Mello

Minicontando: http://minicontosanamello.blogspot.com/

Share




2 comentários:

muito bons esses continhos!

fiquei pensando... esse minimalismo, microcontos, poetrix... só podia vir mesmo da mesma atmosfera que respirou Mario Quintana!

acho que pra aprender a escrever assim - simples, curto e sensível - tenho que me naturalizar gaúcha!!

Você é gaúcha honorária, Marcia!

Postar um comentário