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sexta-feira, 13 de junho de 2008

O País

A leoa perseguia o antílope pela savana e as garras afiadas estavam quase a apanha-lo quando, sem qualquer aviso, aconteceu. O meteoro que visto dali parecia uma estrela a cair, precipitou-se velozmente e foi embater no solo.

Onde foi ao certo o impacto? Não sei. Apenas sei que foi algures muito, muito longe. Depois, depois aconteceu algo extraordinário: o céu ficou negro, de um negro bem escuro e fechado. A coisa durou dois dias, dois intermináveis dias. Após decorrido esse tempo, o País estava diferente.

Os leões e todos os outros grandes felinos tornaram-se vegetarianos e passaram a frequentar aulas de Yoga. Crocodilos eram cães. Aves eram répteis e as de rapina passaram a esconder-se ao notar a passagem do mais pequeno lagarto ou musaranho. As árvores e outros vegetais passaram a mover-se livremente, mas apenas à sexta-feira. Ou deveria falar nas segundas? É que a semana passou a contar-se assim: Sexta, Quinta, Quarta, Terça, Segunda…

E as pessoas? Bem… os políticos passaram a trabalhar de forma incansável para o bem comum e a recusar luxos e ostentação. Futebol e novelas passaram a ser coisas aborrecidas, pouco interessantes, chatas. O povo tornou-se culto, educado, gentil. As editoras e todos os outros intermediários passaram a pagar um valor justo aos criadores. Ah… e a televisão local teve de cancelar o programa “Fiel ou Infiel”. Por falta de audiência.

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1 comentários:

A gente estava precisando mesmo dum meteoro destes, José, pena que valores não se invertem tão facilmente...

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