Ela observava as ondas, deixando que as marolas lambessem seus pés descalços, ignorando a areia grossa, maresia e gosto de sal. A barra da saia negra acumulando fragmentos de conchas e pedrinhas, formando um rastro atrás de si.
Seguia a solidão e só havia o vento e a água gelada. Mar revolto, vento forte, o céu não tomou suas dores e exibiu o por do sol mais bonito. Sentiu-se afrontada e apontou o dedo acusador: -Sem compaixão ou misericórdia, milagres ou acalanto. Vazio! Nada mais tem sentido...
O sol em um suspiro tímido, deixou escapar um finíssimo raio, um toque sutil, leve demais...
Percebendo o ínfimo brilho, aceitou o sinal e estendeu a mão cuidadosa. Sentiu o calor, a mágoa e o rancor enfraquecidos, aquietaram-se. Então compreendeu, pela primeira vez, em tantos e tantos anos.
E o som do seu coração, encheu os ares...Vida!
A mulher guardou o fio de esperança no peito, e em segundos a escuridão abraçou seu mundo de saudades.
terça-feira, 23 de março de 2010
Ínfimo brilho - Giselle Sato
por Giselle Sato
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